Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

A ESQUECIDA ELENA

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Elena Mukhina foi-se aos 45 anos. Esta atleta esteve quase a ser Sthakonovista da Ginástica, Heroína da União Soviética, Heroína do Trabalho Socialista, condecorada com a Ordem de Lenine e a Ordem da Bandeira Vermelha. Depois de ter sido campeã do mundo em 1978, apenas recebeu uma cadeira de rodas e a Ordem do Esquecimento.  

Publicado por João Tunes às 23:56
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7 comentários:
De Anónimo a 29 de Dezembro de 2006 às 01:26
O exílio de Elena Mukhina sempre me comoveu. Perfeita a definição de Elena como uma "sthakovonista", epíteto derivado de um "trabalhador de choque" no Gulag que ascendeu a arquétipo do soviético ideal. Antes de ser proscrito e morrer seco, só com o escarro que, outrora, era a baba do embevecimento.
Um abraço.
De Vítor Sousa a 29 de Dezembro de 2006 às 01:30
O comentário anterior foi meu. A propósito, lembrar-se-á o João de termos trocado comentários sobre o "Gulag: Uma História". Só compreendi a definição de "Sthakonovista" depois de ter extraído essa informação da obra. Pelo menos, um mérito...
De João Tunes a 29 de Dezembro de 2006 às 23:14
Não, caro Vitor, a expressão "stakhonovista" não foi criada no Gulag. Ela deriva do operário mítico, criado pelo estalinismo, chamado Stakhonov, um mineiro mitificado e que teria ultrapassado, absurdamente, várias vezes a quantidade de minério extraído normalmente, durante o primeiro Plano Quinquenal. A figura de "stakhonovista" foi idealizada e propagandeada como suporte da chicotada voluntarista de colocar os trabalhadores a produzirem acima das suas capacidades produtivas (o que devia ser crime numa sociedade dirigida pela classe operária). Ou seja, universalizou para os trabalhadore soviéticos a escravatura absoluta do trabalho enquanto a penúria em bens e alimentos afligia toda a sociedade em virtude da dizimação dos camponeses e da colectivização agricola. Neste sentido, o stakhonovismo foi um dos maiores atentados cotra a classe operária, concebida pelos paranóicos que dirigiam o poder em nome da pátria operária. Claro que o Gulag, que concentrou parte importante da mão de obra escrava que sustentou a industrialização da União Soviética, adoptou o termo e a perversão. Mas não o inventou. Stakhanov, o aldabrão da propaganda que deu o mote, era um estalinista convicto e muito medalhado, pertenceu ao sistema e não ao Gulag. Obrigado pelo contributo.
De Vítor Sousa a 30 de Dezembro de 2006 às 14:35
Caro João, já li o "Gulag" há algum tempo, pelo que não me recordava da origem do termo "stakhonovista". Sendo assim, obrigado pela clarificação. Apesar de o estatuto não ter nascido no Gulag, floresceu nele, já que a categoria dos "stakhonovistas" representava uma elite volátil e/ou circunstancial, formada por "trabalhadores de choque" que atingiam níveis de produção consentâneos com a megalomania de Estaline.

Confesso que confundi Stakhonov com Naftaly Frenkel, um prisioneiro que ascendeu na hierarquia, transformando-se em algoz e ideólogo do Gulag.

Um abraço.
De Marco Oliveira a 29 de Dezembro de 2006 às 11:09
Não me lembro dela.
A primeira ginasta soviética que me lembro foi a Olga Korbut (acho que o nome era esse).
De João Tunes a 29 de Dezembro de 2006 às 23:29
Mas, antes do acidente na sua preparação "stakhonovista" para as Olimpíadas de Moscovo em 1980, Elena Mukhina foi campeã do mundo em 1978 (em Estarsburgo)!

Quanto a Olga Korbut, realmente excepcional, ela foi também uma semi-espécie de fruto da propaganda oficial. No meu entender, não melhor que Ludmila, uma ucraniana fabulosa, de geração anterior. A bateria propagandista de promoção de Olga Korbut foi, de facto, tremenda. Uma espécie de "orgão Stalin" a disparar para fazer esquecer o "fiasco Mukhina". Ao mesmo tempo que se deu o culto mítico de Korbut , Mukhina, além de uma cadeira de rodas para o resto da sua curta vida, foi silenciada. Uma paraplégica era a negação da heroína soviética. E todos os holofotes viraram-se para pré-adolescente Korbut. Repara que, entretanto, o comunismo romeno de Ceauscescu, com nacionalismo desviante relativamente ao Kremlin, tinha o enorme trunfo de Nadia Comaneci (que depois teria um futuro atribulado). E o acidente de Mukhina frustou o apagamento de Comaneci, ou seja, menorizou Brejenev relativamente a Ceauscescu. Inadmissível. Maldita Mukhina!
De Anónimo a 21 de Novembro de 2007 às 00:11
gente a Yelena Mukhina era melhor q a comaneti n era?
se a Yelena Mukhina n tivesse ficado paraplegica sera q a comaneti ia ter essa assençao q ela teve ate hj?

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