Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

UM PARADOXO TRÁGICO

000w6eyz

Esta notícia de uma tragédia em Lagos, na Nigéria (500 mortos):

 

“A violenta explosão de um oleoduto num bairro de Lagos, o maior centro populacional da Nigéria, matou mais de 500 pessoas e feriu um número indeterminado. As vítimas estavam a roubar combustível e as autoridades esperavam um balanço muito mais pesado de mortos.”

”Numerosos corpos incinerados eram visíveis no local do acidente. As testemunhas diziam que a vandalização do oleoduto tinha começado logo de manhã, quando um grupo de desconhecidos, usando camiões cisternas, lançou um roubo em larga escala. Isto atraiu a população local, que se juntou perto da abertura feita pelo primeiro grupo. Foi então que se deu a catástrofe. Súbita e devastadora. As vítimas foram queimadas vivas.”

”A penúria de combustível constitui um forte incentivo para a população vandalizar os oleodutos. Por isso, este tipo de incidente é frequente na Nigéria, um dos maiores produtores mundiais de petróleo, com 2,6 milhões de barris diários.”

 

É um grito de absurdo de um mundo a viver no paradoxo. O da posse da riqueza e o seu usufruto. Num país riquíssimo em petróleo, sendo um seu importante exportador, não só as manchas de pobreza são enormes e em alto grau como ocorrem tragédias altamente mortíferas porque a segurança é atingida pelos roubos de combustível. Evidentemente que só se pode roubar o que existe e tenha valor. E está-se mesmo a ver o convite que representa bairros e aldeias, carentes de quase tudo, incluindo combustível, a serem atravessadas por tubos conduzindo o “ouro negro”. Grande tentação esta. Mesmo quando a morte é o prémio do saque.

 

Mas o paradoxo ficava melhor ilustrado se a notícia identificasse as grandes fortunas nigerianas. Que as há. Além de a Nigéria contar com o mais poderoso exército africano. Fortunas e Forças Armadas alimentadas a petrodólares. Que só sobram para os constantes golpes de estado.

Publicado por João Tunes às 13:19
Link do post | Comentar
3 comentários:
De Paulo Santiago a 27 de Dezembro de 2006 às 19:04
João
O petroleo nunca trará um desenvolvimento sustentável a estes países africanos,trará sim,corrupção e tragédias como esta na Nigéria.
É o "excremento do diabo"!
Quando,há perto de dois anos,se falou,na provável
existência,de petróleo na costa da Guiné-Bissau,um
colega de curso,meu"irmão negro"dizia-me: "a pior
coisa que poderia acontecer a este martirizado país,
atendendo aos políticos que temos,seria a confirmação das jazidas.Este bom povo Guineense,
nada iria beneficiar com tal descoberta,apenas meia
dúzia de políticos corruptos iria engordar as suas contas no estrangeiro".Vive e trabalha em Bissau este meu colega.
Abraço
Paulo
De João Tunes a 29 de Dezembro de 2006 às 23:43
Mas, caro Paulo, garantes-me que a Nigéria estava melhor se não tivesse petróleo? E que a Guiné estaria pior, ainda mais do que está, com petróleo? E o que diz o teu colega que vive e trabalha em Bissau, cito agora de memória, não difere nada do que disse Salazar quando apareceu petróleo em Angola. Será a riqueza uma maldição ou ela é uma forma de a usar e repartir? Abraço.
De Paulo Santiago a 30 de Dezembro de 2006 às 01:38
João estou,plenamente ,de acordo,que a riqueza não
é uma maldição,se for,como dizes, para distribuir,melhorando as condições de vida dos povos.
Mas,o que vemos?Vemos os USA,por causa do petróleo,invadir um país.Vemos a mãe Rússia chantagiando os países vizinhos com o gás natural.Vemos o dos Santos,e,não os Cabindas,cada
vez mais rico.Vemos a demagogia petroleira do Chavez.Vemos o Irão.Enfim,vemos,uma série de países,grandes produtores de petróleo,onde o povo
não tem qualquer mais valia proveniente dessa riqueza.Quero acreditar,que todas estas situações irão
mudar,e,ochamado"ouro negro"deixe de ser uma
maldição para quem o produz.
Aproveito para te desejar um ANO 2007 COM MUITA
SAÚDE

PS-Esperemos que a aliança Amorim/russos não nos
venha"lixar",ainda mais,no preço doscombustíveis

Comentar post

liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO