Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Conversa como as cerejas que, tarda nada, estão aí

 

Vi, com a ternura contagiada de um avô de três netos sujeito a ameaças de novos aumentos da tribo, este post da Joana Lopes. E digo que vi porque o post é mais para ver que para ler. O valor simbólico deste post, como salientou uma comentadora, cresce com o actual contexto em que os abusos revelados sobre crianças, uma mera amostra da dimensão gigantesca da monstruosidade nos bastidores da fé católica, nos ferem a alma social, cordial e afectiva. Ao sabermos quantos monstros cobardes e camuflados se espalham por aí, até na impunidade obtida pela capa da oração, da santidade e da pregação moral e sexual, lançando línguas de diabolização sobre o sexo não institucional e fora do circuito da procriação, a interrupção voluntária da gravidez e a variante homossexual, ao espanto gerado não pode deixar de se seguir uma vontade enérgica e higiénica de varrer para prisões e manicómios esses monstros camuflados com sotaina e cabeção. Hoje, quando sento, ao meu colo, o meu neto mais novo, que ainda não anda e ainda lhe falta fôlego e autonomia para soprar a primeira vela de aniversário a que aspira ter direito mas por isso ainda tem de esperar, não consigo evitar um frémito de revolta de imaginar como é possível um tarado sexual ser tão cobarde e imune à ternura que se realize miseravelmente no abuso hediondo de uma criança. Sei que não se pode generalizar e alguns santos e santas, homens bons e limpos, sobrarão entre a miséria sexual criminosa abundante e redundante na lama da Igreja Católica. Mas as sacristias, seminários, conventos, escolas, orfanatos e outras instituições de caridade religiosa e onde quer que circulem as legiões de machos padres, bispos e cardeais, deviam ser objecto de especial vigilância policial e do Ministério Público, prevenindo e reprimindo o crime. Tal como os bairros problemáticos e de má fama, os de outros crimes, maioritariamente menos cobardes.

 

Imagem: Quadro de Jean-Baptiste Oudry – “Nature morte avec oiseux morts et cerises”.

Publicado por João Tunes às 14:19
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5 comentários:
De Joana Lopes a 29 de Março de 2010 às 14:29
:-)
De Ana Paula Fitas a 29 de Março de 2010 às 15:12
Os olhos doces e limpos das crianças tornam mais hediondos os crimes que, contra elas, os imperdoáveis monstros cometem, na sua cegueira acéfala de crueldade e cobardia.
Um grande abraço.
De Nuno Mendes a 29 de Março de 2010 às 18:38
Não podia estar mais de acordo e comungo com esta e outras suas indignações! Mas pergunto, quando um ser senciente é forçado involuntariamente a entrar numa arena e desta feita levado à exaustão total enquanto um criminoso sacia-se com um touro diminuído na sua dignidade, violentado, picado, humilhado, a esvair-se em sangue por entre palmas e olés , não estaremos perante um caso de puro exercício de violência gratuita cujo objectivo é saciar os instintos mais primários e execráveis de um humano ? Pense nisso na próxima vez que for a Almalandrejo
De João Tunes a 29 de Março de 2010 às 21:36
O senhor tem a tara de meter cornos e bandarilhas em todas as conversas. Levou alguma marrada em pequenino?
De Nuno Mendes a 30 de Março de 2010 às 11:57
Como sempre! Responde com rudeza e falta de educação! É o único comentário que lhe merece? Por vezes sinto pena de estar tantas vezes de acordo consigo com os posts que publica!

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