Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
Celebro hoje até porque há quarenta anos nem pensar

 

Pois eu lembro-me bem. Há quarenta anos eu não duvidava da chegada do homem à lua nem imaginava o Tomás a cortar a fita da inauguração da visita espacial, mas não celebrei o feito, antes o senti como sinto cada vez que uma bola entra na baliza do Benfica. Aquilo era mais uma invasão-ocupação do imperialismo norte-americano, do género posterior do Bush a entrar no Iraque. E arrepiava ver os gajos a espetarem a bandeira americana na lua. "Nós" a começarmos o jogo prontos para a goleada rematando com o "sputnik", a "Laika", o Gagarine e a Valentina, e aquela espécie de "andrades yankies"  a levantarem a taça, lá na lua.

 



Publicado por João Tunes às 14:29
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8 comentários:
De Joana Lopes a 20 de Julho de 2009 às 20:49
Magnífico, João! Este foi inteirinho para o Brumas...


De João Tunes a 20 de Julho de 2009 às 22:02


De mdsol a 20 de Julho de 2009 às 21:27
:))

(com todo o fair-play, de uma "andrade portuense" rsrs )


De João Tunes a 20 de Julho de 2009 às 22:02


De Jorge Conceição a 21 de Julho de 2009 às 01:24
A propósito quero recordar um episódio: quando os soviéticos lançaram o sputnik veio à rádio um “sábio” português afirmar que isso era propaganda dos russos, pois estava cientificamente provado que era impossível ao Homem ou a qualquer corpo terrestre abandonar a Terra devido à gravidade. Esqueci-me do nome dessa “sumidade” o que lamento, pois que o seu nome deveria, para todo o sempre, ser recordado como um grande acto lusitano de inusitada clarividência científica!

Mas pouco depois, no ano lectivo de 1963/64, fui estudar para a Faculdade de Ciências de Coimbra e o meu professor de Física I (ou Física Geral, como também se chamava) demonstrou numa aula porque é que os russos tinham mentido ao dizerem ter posto um satélite artificial em órbita: é que, entrando com a velocidade inicial a imprimir a um corpo para vencer a força da gravidade e com a equação quadrática da velocidade que traduzia o movimento do corpo, obtinha-se uma de três curvas possíveis, de acordo com os parâmetros adoptados: ou uma elipse, ou uma parábola ou uma hipérbole. No primeiro caso o corpo depois de lançado regressaria à terra, enquanto que nos dois casos seguintes se perderia no espaço, nunca entrando em órbita. (Aqui havia já uma avanço relativamente à afirmação categórica do tal “sábio”, uma vez que na hipótese das duas outras curvas um corpo poderia teoricamente a bandonar o jugo terrestre, tudo dependendo da possibilidade de, alguma vez, vir a ser possível aplicar ao corpo uma velocidade inicial de valor suficiente para vencer a força da gravidade). Nenhum destes cientistas pôs alguma vez a hipótese de poderem ser feitas correcções de trajectória após os lançamentos...


De João Tunes a 21 de Julho de 2009 às 10:13
Da primeira também me lembro, ficou célebre, embora a (falta de) memória não me permita identificar o autor (julgo que fosse prof do Técnico mas posso estar enganado). Mas um e outro episódio dos que conta são registo da forma como o salazarismo lidava com a ciência e a técnica.


De José de Sousa a 21 de Julho de 2009 às 10:56
Foi um professor do Técnico. A minha memória ia pregar-me uma partida, lembrando um certo nome que, claro, estava errado. O recurso à net permite-me dizer que foi o professor Varela Cid.

Vai link com alguma piada.
http://209.85.229.132/search?q=cache:0axcxs61jnwJ:avesso-do-avesso.blogspot.com/2007/10/propaganda-comunista.html+sputnik+%22Instituto+Superior+T%C3%A9cnico%22&cd=23&hl=pt-PT&ct=clnk

Tão gloriosa repercussão do dito de tal Senhor não conhecia eu.
Abraço


De João Tunes a 21 de Julho de 2009 às 12:02
Obrigado. Exactamente, soado o nome, a memória espevita e confirma.


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