Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

E NOS CÉUS BRILHARAM OS STRELA

 

 

 

Uma guerra faz-se com armas. Quando das guerras coloniais, Portugal usou de várias estratégias para contornar a proibição formal da NATO em utilizar-se material seu num teatro de guerra fora dos objectivos militares da Aliança e teve nessas artimanhas a arte suficiente para obter armamento fornecido por várias das potências militares ocidentais (EUA, Alemanha, Itália, França, Israel). Entretanto, as guerrilhas anticoloniais abasteceram-se na URSS e restantes países do Pacto de Varsóvia (*). Esta diferença de aprovisionamento (e treino militar), acompanhando a divisão da “guerra fria”, foi uma das marcas mais expostas dos alinhamentos políticos e ideológicos dos dois campos em conflito. Por um lado, a ditadura portuguesa procurava integrar a defesa do seu império na disputa global entre o Ocidente e o Comunismo. As guerrilhas independentistas recorriam aos únicos que estavam disponíveis a alimentar belicamente os destacamentos africanos que lutavam contra o Colonialismo e o Imperialismo. Se no caso português o uso de material militar de países capitalistas constituía um reforço da estratégia integradora de defesa nacional, portanto um avivar de convergência em que o desconforto da natureza ditatorial e colonialista do regime era atenuado pelo empenho na luta contra o Comunismo, no caso da guerrilha africana tratou-se, mais que uma questão de proximidade política (que também existia), do resultado de uma fatalidade. Ilustrando este contexto, ficou famoso o encontro de Amílcar Cabral com congressistas norte-americanos, numa das suas visitas aos EUA, em que estes acusaram o PAIGC de ser um instrumento da URSS e usando como prova disso o facto de a origem de todo o armamento dos guerrilheiros ser de países comunistas. Cabral reagiu de imediato entregando aos congressistas uma lista do armamento que necessitava e apelando a uma satisfação da “encomenda” pelas fábricas de armas norte-americanas, acrescentando que, na luta, o PAIGC não olhava para o “made in”. Claro que a reunião terminou ali e Cabral voou a seguir para Moscovo com a mesma lista a ser entregue a um adjunto de Brejnev, merecendo rápido despacho favorável. E obviamente não havia armas grátis.

 

Muito se tem discutido sobre a quantidade, a qualidade e a eficácia, na guerra colonial enquanto confronto de guerra de guerrilha versus guerra de contra-guerrilha, dos armamentos dos dois lados. Se parece indiscutível que o armamento dos guerrilheiros se adaptava melhor às condições dos combates que lhe eram próprios (anulação de percursos, emboscadas, flagelações de quartéis, fogo anti-aéreo), excelente e eficaz que muitas vezes excedia o nível de competência dos utilizadores, os militares portugueses nunca se puderam queixar de que fosse o défice no seu armamento (em quantidade e em qualidade) que desequilibrava os conflitos em seu desfavor. Para mais, os portugueses eram senhores exclusivos do domínio dos céus e dos cursos de água (aqui, com algumas importantes excepções na Guiné). Até à chegada à Guiné dos mísseis soviéticos terra-ar SAM-7 [conhecidos como Strela (стрела, flecha, em russo)].

 

Claro que se sem armas não há guerras, não são as armas que decidem as guerras. Se o PAIGC não tivesse previamente conquistado as posições que detinha no terreno em 1973, não eram os Strela que lhe iam dar a vitória pois nem sequer tinha condições para utilizar estes mísseis (nem sequer os soviéticos lhos forneciam antes de terem uma sólida posição no teatro de guerra e terem entrado na fase resolutiva do conflito). Sabe-se que era antiga a pressão de Cabral sobre os soviéticos para aceder aos Strela a fim de neutralizar a grande desvantagem do PAIGC relativamente ao exército colonial português sem que os soviéticos acedessem ao seu pedido (tratava-se de um fornecimento de armamento sofisticado que não deixaria de ter efeito no relacionamento entre a URSS e os EUA). E acaba por ser a morte (o assassinato) de Cabral no início de 1973, temendo pelos reflexos negativos deste facto no moral e na capacidade de combate do PAIGC, que leva os soviéticos a fornecer os Strela, desviando para o treino no seu manuseamento um grupo de guerrilheiros caboverdianos (comandados por Manuel dos Santos, Manecas) que estava na URSS para ser treinado para o início da guerrilha em Cabo Verde e que regressa às matas da Guiné preparados para a sua utilização com pleno efeito na fase final da guerra de libertação neste território.

 

O efeito dos disparos dos Strela foi de importância maior na fase final da guerra na Guiné, fragilizando o grande ponto de supremacia portuguesa que permanecia e permitia alimentar o impasse (o domínio dos céus). Para se ter uma ideia deste impacto, é de leitura oportuníssima este post que contem um texto do hoje Tenente-Coronel José Manuel Pinto Ferreira que viveu a batalha dos céus na Guiné e registou minuciosamente os encontros dos aviões portugueses com os Strela.

     

(*) - A FNLA e a UNITA, com diferentes alinhamentos geoestratégicos dispuseram de outras fontes de abastecimento.                                                                            

Imagens: Míssil Strela e restos de um avião de combate português (Fiat G-91) depois de abatido por um destes mísseis na Guiné e a serem inspeccionados por guerrilheiros do PAIGC.

 

Nota: Este post foi também publicado aqui.

Publicado por João Tunes às 16:53
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14 comentários:
De magopi a 10 de Fevereiro de 2009 às 21:29
Posso estar enganado, por ter feito a guerra em Angola, mas penso que nunca houve fiats na Guiné. Deve ser f-86 o avião da fotografia
De paulo santiago a 10 de Fevereiro de 2009 às 22:08
esclarecimento ao comentário anterior.
O J. Tunes está certo,trata-se de um Fiat G91. Na
Guiné não existiam F 86. Além dos Fiat, havia T 6
Harvard, DO 27, Dakota e Nord-Atlas. Ocasionalmente
, vi-os em 1971,eram efectuados bombardeamentos
com aviões P2V5 estacionados em Cabo Verde,sendo
este um armamento NATO que"diplomaticamente"não
seria utilizado pelo regime colonial contra os movim.
de libertação.
Abraço
De João Tunes a 10 de Fevereiro de 2009 às 22:16
Obrigado pela ajuda, Paulo. Quando emiti a minha resposta ao camarada "magopi" ainda não tinha lido o teu esclarecimento. O certo é que ele conseguiu que em vez de falarmos dos Strela (objecto do post) se andem a discutir os nossos aviões. A parvoíce da observação dele é tanta que até parece obra de contra-informação.

Abraço.
De Ricardo Ribeiro a 19 de Agosto de 2014 às 12:34
Sucede que na Guiné podia não haver F-86 em 1973, mas estiveram activos no teatro de operações pouco antes, retirados por pressões da NATO, visto tratarem-se de aeronaves entregues a Portugal no âmbito da acção daquela organização de defesa, e que portanto não deveria estar estacionar e/ou operar fora do território europeu.
De João Tunes a 10 de Fevereiro de 2009 às 22:10
Caro Camarada,

Com a devida licença, Vossa Senhoria não só está enganado, mas antes redondamente enganado. Decerto foi traído por ter maior rapidez a escrever e a contrariar que a pesquisar e pensar, partindo do princípio que é um esperto destinado à missão de encontrar falhas nos outros. Se tivesse seguido o link para o texto do Ten-Cor Pinto Ferreira (era só fazer clique em cima da parte sublinhada) verificaria que os caças utilizados na guerra da Guiné foram mesmo os Fiat G91-R4. E os destroços mostrados na foto publicada no post são os do Fiat G91-R4 nº 5419, atingido por um míssil Strela, à vertical de Madina do Boé, no dia 28 de Março de 1973 que era pilotado pelo comandante Almeida Brito (1933-1973) e que ao comando desta aeronave morreu em combate. Se se der ainda ao trabalho de pesquisar no Google para "Fiat G-91" vai encontrar numerosos sites que reportam à sua utilização na guerra colonial na Guiné. E porque raio lhe passou pela cabeça que um ex-combatente da Guiné aqui escrevia a inventar postas de pescada trocando os aviões quando, para quem andou na guerra (na Guiné ou noutra frente), se havia coisa que nunca esquecia eram os aviões pelo papel único que a aviação representava para todos os combatentes (no abastecimento, na evacuação de feridos, no apoio de fogo)? E o meu Alzheimer pode já vir a caminho mas ainda aqui não chegou.

Saudações, caro camarada antigo combatente.
De walter a 10 de Fevereiro de 2009 às 21:57
eu adoro a historia de luta libertação, e essas informações sáo boas
De João Tunes a 10 de Fevereiro de 2009 às 22:23
Sim, melhor a história que vivê-la na pele nos melhores anos da nossa juventude. Felizmente que às gerações pós-25 de Abril da guerra colonial só têm a história para conhecer. Com inveja minha, a de um que combateu e foi combatido na Guiné em 69-71, problema de que as gerações posteriores não têm culpa alguma.

Cumrpimentos.
De LUIS PARREIRA a 11 de Fevereiro de 2009 às 00:53
Caro João Tunes,
como você já afirmou em comentário a outro post, um oceano nos separa, na forma como olhamos para a factualidade da presença portuguesa em àfrica, contudo desta vez, quero apenas confirmar o que é óbvio, a aeronave abatida é de facto um FIAT G91 R/4, e acrescentar que os F 86 não puderam sequer executar missões em África por impedimento da NATO, tendo ficado armazenados na BA2-OTA e nas OGMA. Contudo é doloroso para mim recordar o desaparecimento na DO 27, do meu amigo enfermeiro Cóias, e a morte do Ten/Cor Brito, Comandante do Grupo Operacional, e sinto ainda a revolta (será que você não sentiria o mesmo?) pela incompreensão e confusão de um Oficial Superior (prefiro não dizer o nome) que ousou afirmar que as aeronaves estavam a ser sabotadas pela manutenção, (acabei mais tarde por poder privar, depender funcionalmente e assessorar esse oficial extraordinário que é Cor. Pessoa, que sobreviveu aos mísseis e que permitiu ao contrário do se diz, que a FAP recupera-se a supremacia aérea. Para finalizar, será que valeu a pena a luta de Amílcar Cabral? O homem que sempre viveu em coerência com os seus ideais, o líder do movimento guerrilheiro que almejava uma comunidade fraterna que floresceria, quando os dois povos levados à guerra se libertassem do opressor comum, que acabou por ser vítima de um ajuste de contas, e não pôde ver o golpe de Estado de Nino Vieira de 14 de Novembro de 1980 que arrasou o seu grande sonho de fazer da Guiné e de Cabo Verde um único país, ou, pelo menos, uma união de Estados capaz de se impor aos desígnios hegemónicos dos governos de Dacar e Conacri, e desmembrou o PAIGC por ele fundado. Já não assistiu à ostentação, corrupção e sanha sanguinária na resolução dos diferendos políticos onde se atolaram muitos dos dirigentes guineenses. Morreu sem presenciar a miséria, a doença e a fome que dizima o seu povo 34 anos depois da independência. Morreu sem ver os seus velhos camaradas de armas — os seus antigos camaradas —a se digladiarem numa luta fratricida infligindo à Guiné-Bissau uma destruição terrivelmente superior à provocada por onze anos de guerra colonial vendendo, provavelmente, a soberania nacional numa patética tentativa de conservar a bebedeira do poder. Enfim não apaguem a memória….da libertação, nem do pós libertação.
LUIS PARREIRA
De João Tunes a 11 de Fevereiro de 2009 às 12:22
Caro Luis Parreira,

Se bem percebi pela visita ao seu site, temos de comum o gosto pelo basket e como fatalidade de discordância vc ser do "Galitos" e eu do Barreirense (a par do Benfica, é claro). Esta época já vai em quatro ou cinco as vezes que fui ao Pav Municipal do Barreiro acompanhar a equipa do Glorioso (onde, para mais, alinha um meu sobrinho, Sérgio Ramos) e numa delas assistir a uma monumental tareia no fraco mas simpático "Galitos". Quem sabe se não nos cruzámos por lá. Talvez para uma próxima vez dê para, pelo menos, nos cumprimentarmos pessoalmente.

Feito o intróito, agradeço-lhe os esclarecimentos sobre as aeronaves. De uma forma geral, estou de acordo com as suas lamentações sobre a derrocada da Guiné pós-independência e a não realização das utopias de Amílcar Cabral. O que, do meu ponto de vista, não põe em causa o direito da Guiné à independência que já existia no tempo da guerra colonial. O não terem cabeça é, primeiro que tudo, problema deles e sai-lhes do corpo. Estarem pior ou melhor que no período colonial não se confude com a legitimidade do exercício da soberania (por aqui, há muita gente que questiona se Portugal e os portugueses não estariam melhor se a saga filipina não fosse interrompida). Já, curiosamente, tendo uma profunda admiração pela figura de Amilcar Cabral (sem dúvida, o mais brilhante dos líderes africanos a par de Mandela), e pela minha resistência aos mitos, não vislumbro que tudo teria corrido melhor com Cabral vivo. Até tenho dúvidas se tudo que aconteceu na Guiné independente não foi também uma herança de Cabral. O modelo de Partido e de comando, a utopia quimérica da união Guiné-Cabo Verde, a ideologia do marxismo africano, foram legadas ao PAIGC por Cabral. E essas marcas daquele tempo deram nesta Guiné, como nesta Angola e neste Moçambique, além das ex-colónias de outras potências que seguiram o mesmo modelo de marxismo militar. Mas ao contrário de Mugabe, Neto e Samora, Cabral (cujo mito muito deve à PIDE que o assassinou) foi dispensado da prova de governar o território que libertou e assim ficou envolvido no manto diáfano do mito do libertador.

Cumprimentos.
De LUIS PARREIRA a 11 de Fevereiro de 2009 às 17:13
Caro João Tunes, de facto a minha "adesão" ao Galitos é circunstancial, tendo a ver apenas com o facto de o meu filho mais novo ser ali atleta senior após a sua saida do Barreirense, clube do coração mas que não lhe permitiria seguir o seu projecto de vida na Engenharia Biomédica, sou de facto um sócio do Barreirense com emblema de prata, devo no entanto manter-me razoávelmente equidistante para melhor poder desempenhar as funções de Vice Presidente da Associação de Basquetebol de Setubal, mas não tanto que não me permita fazer parte da Comissão para a construção do novo Pavilhão do FC Barreirense, enfim o aproveitamento social da disponibilidade de um militar na reforma.
Sou um grande admirador do Sérgio Ramos, que é para mim o melhor jogador Português da sua geração e espero que seja possivel a sua contribuição no próximo Europeu, embora conviva com mais assiduidade com o Miguel Minhava e com o António Tavares.
Concordo consigo quando diz: "Talvez para uma próxima vez dê para, pelo menos, nos cumprimentarmos pessoalmente." certamente que terei muito gosto em o comprimentar e lhe oferecer um cafè embora, com muita pena minha, no pavilhão o café não seja de grande qualidade.
Não o quero maçar mais com um comentário que se afasta completamente do tema do seu post.

Cumprimentos

Luis Parreira Chucha


De LUIS PARREIRA a 11 de Fevereiro de 2009 às 18:31
Apenas mais uma nota de pé de página, se quiser visitar o meu blog, poderá observar duas fotos do meu arquivo histórico, e que esclarecem dúvidas a um cavalheiro que comentou com pouca educação, chamo a sua atenção para o facto de uma das fotos ser precisamente da aeronave abatida, (ainda sem danos), e onde faleceu o T/C Brito
De João Tunes a 11 de Fevereiro de 2009 às 22:21
Pois, de facto, estamos a desviar-nos do tema do post. Mas a falsa querela sobre os Fiat já foi um primeiro desvio. Discutir Cabral e a Guiné pós-independência foi o segundo. Que seja, demonstrativo talvez que basket, Fiat, Cabral, são temas mais estimulantes que os famigerados Strela.

E assim, voltando ao basket, permita-me umas quantas sentenças: 1) O Sérgio já abandonou a selecção e não vai lá voltar como jogador (foi decisiva a forma alarve como o coronel ucraniano, que me recuso a nomear, o tratou miseravelmente no último Europeu), aliás deverá fazer mais duas temporadas a jogar no Benfica e depois tentar seguir a carreira de treinador ou outra ligada ao desporto (vai voltar a estudar, retomando hábitos que fez dele um brilhante estudante antes de o basket o desviar a 100% para o basket); 2) Minhava é um talento à vista desarmada (está agora a recuperar muito bem da sua última lesão) e irá longe; 3) o palerma triste do Tavares estagnou e já não vai dar mais que uns minutos de descanso às peças que jogam e fazem jogar.

Quanto ao café, pois é difícil no Pavilhão ou nos arredores (aquela Cidade Sol é um susto). Mas disso não depende o prazer de um cumprimento se a cordialidade não for uma questão de cafeína ou outro estimulante.

Cumprimento-o com consideração e simpatia.
De Ricardo Ribeiro a 19 de Agosto de 2014 às 12:36
Como escrevi anteriormente, os F-86 estiveram operacionais na Guiné por um certo espaço de tempo.
De Jose Matos a 1 de Abril de 2009 às 03:43
Olá a todos

De facto a foto é de um R.4 abatido nas circunstâncias já referidas.

No entanto, não são correctas as afirmações a respeito do F-86 Sabre na Guiné.

De facto, o Sabre esteve na Guiné no período 1961-64, tendo participado em várias missões de combate, nomeadamente na operação Tridente para a tomada da ilha do Como. So aí fizeram 73 saídas de combate.

Foram retirados da Guiné em 64, devido à pressão política norte-americana e também devido a problemas logísticos.

José Matos

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