Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

É ISSO, NEM SOMOS MARCIANOS

 

O que se andou para tanto descobrir:
 
Os ateus amam, são solidários, vivem a mesma vida dos crentes.
 

Quando o problema sempre foi outro, o de descobrir que seja o que for que se escolha, há sempre outros. Como nós, por serem outros. Mas, com o tempo, a religião, como a cor da pele, o traje, a língua ou o gosto sexual, tende a perder a identidade guerreira da tribo para ser uma banalidade de escolha e gosto quando não é fruto da condição ou do mero acaso. E as crispações actuais - duras e pagas com muito sangue - são as despedidas dos domínios perdidos. O prazer pela diferença há-de compensar as dores de parto. Porque o conforto adquirido com a segurança da unicidade está frito.

 

Publicado por João Tunes às 16:04
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5 comentários:
De weber a 27 de Janeiro de 2009 às 18:25
Caro João,
repara no interessante que é este texto (parte dele) da autoria do padre católico, Anselmo Borges, proferido numa conferência cujo tema central era o Diálogo de Religiões:

“CRENTES, AGNÓSTICOS, ATEUS VIVEM NO MESMO MUNDO, CUJA REALIDADE AMBÍGUA EXIGE INTERPRETAÇÃO. ORA, COMO NOTA O TEÓLOGO ANDRÉS TORRES QUEIROGA, NÃO É PORQUE SE É CRENTE, AGNÓSTICO OU ATEU QUE SE INTERPRETA O MUNDO DE UMA DETERMINADA MANEIRA; PELO CONTRÁRIO É-SE CRENTE, AGNÓSTICO OU ATEU, PORQUE A FÉ OU A NÃO CRENÇA APARECEM AO CRENTE E AO NÃO CRENTE, RESPECTIVAMENTE, COMO A MELHOR FORMA DE INTERPRETAR O MUNDO COMUM.”

E CONTINUA O PADRE ANSELMO:

“É NESTE HORIZONTE QUE SE ENQUADRA O DIÁLOGO ENTRE RELIGIÕES, COM QUATRO PILARES FUNDAMENTAIS:
1. DESDE QUE SE NÃO OPONHAM AO HUMANUM, PELO CONTRÁRIO, O AFIRMEM E PROMOVAM, TODAS SÃO REVELADAS E VERDADEIRAS, O QUE NÃO SIGNIFICA QUE SEJAM IGUAIS.
2. TODAS SÃO RELATIVAS, NUM DUPLO SENTIDO. SÃO RELATIVAS PORQUE NASCERAM NUM DETERMINADO CONTEXTO GEOGRÁFICO, SOCIAL, ECONÓMICO E ATÉ RELIGIOSO. SÃO RELATIVAS TAMBÉM NO SENTIDO DE QUE ESTÃO TODAS REFERIDAS AO SAGRADO, MAS NENHUMA O DIZ PLENA E ADEQUADAMENTE. (…)
3. DESTE DIÁLOGO FAZEM PARTE TODOS OS SERES HUMANOS, TAMBÉM OS ATEUS. POR DUAS RAZÕES FUNDAMENTAIS. EM PRIMEIRO LUGAR, PORQUE O QUE, ANTES DE MAIS, NOS UNE A TODOS É A HUMANIDADE E O QUE SE REFERE À HUMANIDADE. ORA, TAMBÉM A RELIGIÃO E AS RELIGIÕES SÃO QUESTÃO DE HUMANIDADE. DEPOIS, PORQUE FORAM E SÃO ELES – OS ATEUS E OS AGNÓSTICOS – QUE PODEM PREVENIR PARA O PERIGO DA SUPERSTIÇÃO E DA DESUMANIDADE DAS RELIGIÕES."

Fim de citação.

Abraço,
Zé Albergaria
De João Tunes a 27 de Janeiro de 2009 às 20:50
Zé, já tinha lido este texto do Padre Anselmo, teólogo de que, sempre que consigo, acompanho as escritas. É uma excepção, uma boa excepção.

Abraço.
De mc a 27 de Janeiro de 2009 às 19:01
ó minha mãe! estes ateus matam-me. O que escrevi pode ser lido de muitas formas. Até pode retirar que eu estava a ser condescendente.
Fazemos as mesmas coisas, mas a diferença mantém-se. Mas isto não é tão simples como parece. Postarei mais sobre este assunto. Se for preciso ainda se arranja uma fogueira, a Igreja precisa de mártires.

abraço, mano :)
De João Tunes a 27 de Janeiro de 2009 às 21:00
Claro que reparei no toque maternal da condescendência para com nós, os outros. Mas como prometi que este ano ia ser um irmão exemplar, disfarcei, se calhar mal. E, verdade seja dita, o sentido de supremacia alimentada por séculos, muitos séculos, não desaparece de um dia para o outro. Como se compreende que deva ser suave a vossa proletarização cultural imposta pela maré da laicidade. Mas vão lá, acredito que vão. Qualquer dia descobrem-se iguais, sendo diferentes entre iguais.


Abraço, maninha.
De mc a 27 de Janeiro de 2009 às 22:08
o compromisso de mimos, não invalida a correcção. não se acanhe. a condescendência foi insconsciente. ler o seu texto, ajudou-me a ver que o tinha sido. obrigada, por isso. e claro que é resquício de séculos de prática.

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