Domingo, 13 de Julho de 2008
SOBRE A FÉ DE INGRID

 

Diga o que disser, faça o que fizer, defenda o que defender, goste do que gostar, reze o que rezar, Ingrid Betancourt liberta é assunto completamente distinto do da Ingrid Betancourt prisioneira. Agora livre, todas as suas opiniões estão sujeitas ao contraditório, inclusive no limite de parecerem pueris ou ridículas, mas antes, em que o seu e nosso sonho maior era ela sair da garra dos carcereiros fascistas marxistas-leninistas, os homens e as mulheres livres só podiam estar integralmente com toda ela. Nisto, não há contradição, apenas o efeito da liberdade.
 
Como muito bem escreveu o Luís Januário:
 
O fervor de Ingrid Betancourt não retira uma linha ao que aqui escrevemos nos últimos anos. É fácil escolher entre um refém e o seu carcereiro. Um combate apoiado no rapto, na extorsão, no tráfico de drogas não trará mais liberdade, mas mais escravidão.
 
Alguns dos que não mexeram uma palha a exigir a libertação de Ingrid e outros que tacitamente aceitavam que ela era uma “prisioneira de guerra” (escrevendo assim com todas as letras) com mero valor de troca, mais aqueles cínicos que acharam que ela “até vinha em bom estado” e longe da prostração comatosa que lhe competiria como sequestrada, tentam hoje, com base nas suas actuais posições públicas após a libertação - as políticas, as religiosas e as emocionais -, encontrar em Ingrid, na Ingrid - mulher livre de que livremente podemos gostar ou não do que pensa e diz, uma desqualificação, ou várias, que atenue o factor objectivo constituído pela derrota das FARC na operação de resgate dos sequestrados. No fundo, tudo gente que não consegue amar a liberdade além das cumplicidades ideológicas ou partidárias. Porque não é, nunca foi, a Ingrid encarcerada mais de seis anos, nem os restantes sequestrados, por um narco-gang, que lhes tirou ou tira o sono, são as FARC metidas no coração, as colombianas ou as de um imaginário redentor que meta tiros sonâmbulos na burguesia, que lhes dão sobressaltos de arritmia política, doença vulgar no marxismo-leninismo apodrecido.   
 
PS – Sobre a Colômbia, as FARC e o "resto", leia-se este excelente e recente post de José Albergaria.
 
(foto copiada daqui)

 



Publicado por João Tunes às 19:43
Link do post | Comentar |

---- Ano VII a blogar ----
Mail: j.tunes@sapo.pt

Pesquisar neste blog
 
Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


Posts recentes

Achando mal que tenham pa...

Que grande moenga, depois...

Há piscinas nos seminário...

Quanto ao resto tudo bem,...

Uma casa real que contrat...

Um arroto vindo de Setúba...

Justo (de justiça)

Para fazer um século só f...

Os netos republicanos

Não se compara o incompar...

Arquivos

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:
blogs SAPO