Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

MAIS UM BODE EXPIATÓRIO PARA A COLECÇÃO (2)

 

(Versão revista após constatar que tinha cometido o lapso de referir o ISP como uma tributaçção percentual, quando esta tributação é fixa e estabelecida por portaria governamental. Nos impostos aplicados aos derivados petrolíferos (ISP + IVA), só o IVA é percentual - portanto, subindo conforme sobe o valor "preço + ISP" - , o que confirma que pela vaga altista dos preços dos combustíveis há uma maior colecta de impostos pelo Estado, via IVA.)

 

 

Neste meu anterior post, o Luís Novaes Tito respondeu-me (ver comentários) e lançou-me um desafio, retomando ainda a polémica aqui. Antes que se faça tarde, aqui vai a tréplica (pois a campanha dele vai de vento em popa, talvez já ameaçando que a Galp saia do mercado, deixando-nos, assim, com o problema energético resolvido):
 
Caro Luís,
 
Permita que, mais uma vez (para desconto das tantas vezes que comungámos na mesma eucaristia), o contrarie.
 
Percebi agora que a sua fúria direccionada contra a Galp parte de duas premissas: primeira, que a Galp é portuguesa; segunda, que a Galp arrecada “lucros inacreditáveis” pela escalada nos preços dos combustíveis numa óptica diabólica de “agravar a carestia de vida dos seus concidadãos”. O problema primeiro é que ambas as suas premissas estão erradas. A Galp, hoje, não é “portuguesa” pois nela dominam, nos seus interesses accionistas e respectivas decisões, mais a ENI e a Sonangol que, do bando lusitano, o (patriota mas capitalista nas horas de serviço) Américo Amorim, a pequena parcela remanescente do Estado português (a que a UE retira a modalidade de “golden share”) e os pequenos aforradores portugueses que, para o caso, são invertebrados nas tomadas de posição da companhia. Verdade, que até parece mentira, os “lucros inacreditáveis” da Galp não se devem ao aumento dos preços dos combustíveis no consumidor (lucros chorudos e crescentes são os de Chavez e parceiros, mais, por cá, os do ISP e IVA – num sistema de dupla tributação em que o IVA incide percentualmente sobre produto antes já tributado pelo ISP – que revertem para o Estado).
 
Como sabe, pois se não soubesse não se oferecia para liderar este ciber-boicote à Galp, há dois tipos de cotações que regulam o mercado internacional do petróleo e derivados: o do crude (matéria prima) e o dos derivados (gasolina, gasóleo, etc). O primeiro tem a ver com os controladores da exploração e produção (a Galp é um actor muito pequenino) e o segundo com as grandes refinadoras e distribuidoras/comercializadoras (onde a Galp é quase um figurante). Quem tem, produz e exporta petróleo, está a ganhar balúrdios, sobretudo quando controla com eficácia, como está a acontecer agora, a relação oferta-procura. Este negócio é independente do dos derivados e se a Galp nele, de há pouco tempo a esta parte, obtem bons proveitos é porque soube inverter a política suicida da gestão Mexia que incluía a radicalidade suicidária de liquidar a inversão da Galp neste domínio. Talento e muita sorte (ao apostarem em zonas com boas reservas e de não elevados custos de exploração) das gestões pós-Mexia permitiram que a Galp apostasse bem em Angola e Brasil e isso explica, em grande parte, que ano e meio depois de lançar-se na Bolsa, as acções da Galp mais que tivessem triplicado a sua cotação. Apesar de assim não parecer, a cotação dos derivados é autónomo e rege-se por outra relação entre oferta e procura e em que compete sobretudo a eficácia em produtividade e tecnologia de refinação. Este foi historicamente o calcanhar de Aquiles da Galp que acumulou, anos a fio, prejuízos na actividade refinadora (tantos que a Refinaria do Porto viveu décadas sob a ameaça permanente do encerramento). Também aqui, após o momento histórico-empresarial em que a Galp se livrou da gestão Mexia, por investimento, modernização e motivação, o parque refinador da Galp conseguiu passar a colocar refinados alinhados nos preços de cotação no mercado e com margem refinadora positiva. E, consequentemente, transformar uma faixa de prejuízo numa actividade lucrativa. E, curiosamente, indo ao que mais interessa para o caso (preços no consumidor), é no mercado de retalho (nos postos de abastecimento), a “menina dos olhos” quando da gestão Mexia, pelo efeito demolidor dos preços finais dos derivados com retracção inevitável no consumo, que a Galp tem vindo a decair nos seus resultados (que levou, como exemplos, a que o gigante Shell abandonasse as redes de postos em vários países europeus, incluindo Portugal, concentrando-se na exploração e na refinação, assim como que a Exxon vendesse as suas posições portuguesas sob marca Esso à Galp).
 
O efeito da cotação do dólar face ao euro não é para aqui, para este argumentário, chamado. As cotações de crude e dos derivados que regulam os preços no consumidor estão traduzidos em euros (claro que se, no caso, o dólar não descesse tanto face ao euro, o quadro do impacto energético seria bem mais dramático que aquele que é hoje).
 
Hoje, se a Galp apresenta os lucros que tem, sendo tempo de vencermos preconceitos serôdio-soviéticos contra a eficiência que leva ao lucro, estes não se relacionam absolutamente nada com a alta de preços na gasolina e no gasóleo (ao contrário, pela retracção no consumo, perde quantidade vendida e perde margem total de lucro por comercialização). Estes vêem, e são meritórios, de outras actividades que antes eram incipientes ou deficitárias (exploração e refinação).
 
Como regra internacional adoptada entre companhias petrolíferas, não se podem transferir resultados-lucros entre segmentos da actividade. Se se fizesse isso, haveriam apenas, em todo o mundo, quatro ou cinco companhias que cartelizavam o mercado mundial do petróleo desde a exploração até a distribuição e podendo fazer “dumping” no sector de negócio que lhes interessasse. Assim, para falarmos dos preços nos postos de abastecimento, as referências únicas são as cotações internacionais dos derivados do petróleo (gasolina, gasóleo) e a cotação do petróleo bruto só é para aqui chamada na medida em que influencia, com peso elevado como custo de matéria-prima, os preços à saída das refinarias (levou a que, no primeiro trimestre deste ano, a margem de refinação da Galp caísse para metade da do ano anterior). E, nestas cotações, os preços à saída das refinarias da Galp são tão competitivas no mercado europeu que as suas concorrentes com postos de abastecimento em Portugal (Repsol, BP, etc) se abastecem na Galp e só trazem uma parte ínfima de produtos finais das refinarias espanholas ou francesas.              
 
Se todas as companhias com postos de abastecimento em Portugal se abastecem sobretudo na Galp, nada as obrigando a isso, é simplesmente porque a refinadora portuguesa é competitiva nas componentes produto+distribuição. E, depois, aplicando idênticas margens de comercialização (que são reduzidas e praticamente insignificantes no valor do custo final, podendo ir até próximo do zero no caso dos hipermercados que vendem combustíveis não para lucro mas como chamariz de outras vendas), acabam por vir para o mercado com os mesmos preços, mais dia menos dia, pois os produtos aparecem ao consumidor com os mesmos dois ónus brutais: o custo do crude e os impostos sobre combustíveis.
 
O problema gordo, na alta dos preços dos combustíveis que sofrem os consumidores, está na sua tributação fiscal que se soma à alta da matéria-prima. Sendo o ISP uma tributação pesadíssima, o IVA vai subindo de valor pois incide sobre o preço do produto após ser tributado pelo ISP. Hoje, a tributação fiscal representa mais de metade do preço pago pelo consumidor. E não pára de aumentar, via IVA, consoante o crude aumenta e aumenta a gasolina e congéneres. Enviesar o problema, dirigindo-o para as companhias distribuidoras, no "caso da campanha" para apenas uma delas, é "tirar da chuva" a solução que é possível porque é política, e que está na mão do governo, que reside em rever os seus crescentes "lucros chorudos" cada vez que os preços do petróleo aumenta, agravando a crise, em vez de contribuir para o seu amortecimento. Assim, objectivamente, este "malhar na Galp" é uma graça que se tem para com as companhias concorrentes da Galp e serve de guarda-vento ao governo, um dos grandes beneficiários com a presente crise (em termos de receita fiscal, quanto mais subirem os preços, mais sobe o valor colectado).
 
Não somos produtores de petróleo no nosso país. Não temos meios de influenciar os preços e a escalada altista do crude. Não podemos impor às companhias refinadoras e distribuidoras que se afastem da competitividade perante cotações internacionais dos derivados, muito menos que se prestem a "dumping", distribuindo abaixo do custo. Se não aguentamos o efeito devastador dos actuais e previsíveis preços finais, o que podemos fazer para evitar o apocalipse no mercado dos combustíveis? Só há um caminho de efeito imediato (além da diversificação das fontes energéticas que só terá efeitos a médio e longo prazos): rever imediatamente a política fiscal da tributação sobre os combustíveis (baixando o valor do ISP, pois não faria sentido mexer no IVA, permanecendo em aberto o problema duvidoso da aplicação da dupla tributação). É aqui, só aqui, na tributação fiscal sobre os combustíveis, que reside a nossa diferença com Espanha e não no preço dos derivados à saída das refinarias. Mas quando a mama é boa, a vontade atractiva pela teta resvala para o sensual, não é? Diga-se então que o governo está bloqueado no encontro de soluções corajosas porque vive em êxtase saboroso perante uma "facilidade" de equilíbrio orçamental com que a alta do crude lhe afagou o regaço. Mas não se façam desvios eróticos para encontrar "tarados" onde apenas se cumprem as regras do mercado e nele se compete com sucesso. Como foi essa de escolher-se a Galp para alvo de uma campanha selectiva, injusta e arbitrária. Para mais, com o argumento miserabilista, género o da esquerda radical para com a banca e empresas de sucesso, que a culpa vem sempre onde existam "lucros chorudos" (e que são "peanuts" comparados com os lucros dos grandes conglomerados petrolíferos mundiais, como a Repsol, a BP e outros isentos das campanhas de "boicotes" à lusitana).
 
A “boa” da Repsol (hoje um grande distribuidor em Portugal, após ter comprado a rede da Shell), tão “boa” que o Luís a poupou da ciber-campanha de boicote que decidiu liderar, pratica preços idênticos ao da Galp. Porque não pedir à feliz contemplada pela isenção de boicote que pratique aqui, em Portugal, os preços que pratica em Espanha? Se lhes dirigir tal pedido, os da Repsol, explicar-lhe-ão que: primeiro, compram produtos às refinarias da Galp porque esta companhia lhes vende derivados a preços inferiores aos das suas refinarias espanholas; segundo, praticam margens de comercialização idênticas às da Galp, estas são pequenas e não as podem encolher mais; terceiro, as diferenças de preços entre Portugal e Espanha é mera questão de impostos cá e lá. Ora bem.
 
Abraço, meu caro e sempre leal companheiro e amigo Luís.
 
PS- Quanto à sua campanha, continue com toda a inspiração. Por mim, use esse direito à vontade, embirrando com quem entender. O mesmo direito que usarei, sempre que o entender, para fazer contra-campanha a este seu injusto ataque selectivo a uma grande companhia que, pelo empenho profissional dos seus trabalhadores e méritos da sua gestão, suscita animosidade pelo seu sucesso. Desejo-lhe, finalmente, que os "nuestros hermanos" da Repsol lhe agradeçam a campanha com um sonoro "viva o Rei".

 

Publicado por João Tunes às 23:36
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12 comentários:
De MFerrer a 24 de Maio de 2008 às 11:41
Excelente argumentação baseada em factos, não em fantasmas. A sombra do PREC e do ódio aos lucros, quando são nacionais, cega completamente e impossibilita uma conversa de jeito.
Então o PCP é especialista em desconfiar de alguma empresa com êxito. Deve ser porque sentem que só têm ouvintes entre os mais explorados. Daí, quanto pior , melhor...
Vou fazer uso dos seus argumentos num próximo post lá no meu posto de abastecimento de ideias.
De MFerrer a 24 de Maio de 2008 às 11:45
Acrescento que o único boicote justo e possível é o do não consumo puro e simples. Andar a pé, e de transportes públicos. Chegar tarde mas não pactuar com especuladores e com os impostos excessivoa que agora não se podem baixar, visto que seriam de imediato comidos pela próxima alta do crude..., e lá voltávamos ao mesmo!
De josealbergaria@mail.com a 24 de Maio de 2008 às 13:27
Caro João,

Fazendo uma espécie de trocadilho "eu gosto do Luís, mas gosto mais da verdade"!

Este teu post configura, em linguagem de barbearia, uma enorme carecada .

Contudo, o nosso amigo hasteou bandeira demasiado grande para o seu estabelecimento.

O negócio do petróleo é das coisas mais opacas e sujas que existe ao cimo da terra.

Por ele se têm feito revoluções, cometido assassinatos, feito alianças espúrias , desencadeado guerras, locais, regionais e de alcance mundial.

É ele que determina a ascensão dos BRIC e a emergência da China como a mais que provável potência emergente, provavelmente, já em 2030.

A China comprou, praticamente, TODA a divida externa americana e, por via da crise dos sub primes (créditos de enorme risco e mal parados nos USA...) injectarm centenas de milhares de milhões de dólares de liquidez no sistema bancário mundial!...

Em relação ao ano de 2007 (em periodo homólogo) o mercado chinês já consumiu mais 14% de crude.

Como o recente terramoto destruiu 7 centrais termoeléctricas (que funcionam a carvão) - vai aumentar ainda mais as necessidades de crude na China!

A construção do preço do crude, nos mercados mundiais é mesmo uma coisa muito complexa e tem múltiplas componentes... A emergência da India e da China como potências económicas a nível mundial- tem aumentando, e em muito, a procura de crude....

E mais não digo - por que tu disseste tudo o que havia para dizer, e muito bem , sobre a "campanha" em curso na blogoesfera , mas já com ecos na imprensa tradicional.

É óbvio que continuarei a cortar cabelo, a fazer barba e a cavaquear na barbearia do senhor Luis .

Abraço a ambos,
Zé Albergaria
De João Tunes a 24 de Maio de 2008 às 21:51
Uma coisa é-me certa: esta campanha à parte, o Luís é o melhor barbeiro da blogosfera, porque é homem de princípios e convicções, dando a cara e mostrando a navalha com que apara barbas. Tenho por ele uma consideração muito especial. Igual quando concordo como quando discordo. E ainda com ele não tinha discordado tanto. Aqui, acho que se meteu em trabalhos de manicure e deu uns cortes nos sabugos dos dedos. Mas eu não sou barbeiro e já cortei sabugos e os dedos agarrados, que é uma forma "à baeta" de dizer que muitas vezes já meti o pé na poça. Tenho muito gosto em o ter como companheiro e como amigo. Abraços aos dois.
De Anónimo a 24 de Maio de 2008 às 21:21
Nesta onda anti Galp é "curioso" verificar que um certo presidente de um clube tem um acordo comercial com ...a concorrente espanhola...grande carecada
De João Tunes a 24 de Maio de 2008 às 21:42
Estamos a falar de ACP, SLB e quem mais?
De Mouzinho a 25 de Maio de 2008 às 15:21
Peço desculpa, mas por lapso o comentário ficou anonimo e para piorar...pouco claro.

Estava a referir-me ao presidente do ACP, cuja retórica anti-Galp parece pouco transparente, quando recomenda com afinco a abastecimento no concorrente Espanhol. Acho estranho não se falar disso.

Mais revoltante é ver os oportunistas dos políticos, com direito a ver um Paulo Portas a passar a ser o Paulo dos postos, e em Badajoz.
De Augusto a 25 de Maio de 2008 às 22:34
Como foi aqui explicado existem neste negócio dois mercados.
O dos produtores/exportadores de crude, em que o preço do barril tem subido devido à desvalorização do dólar e a um brutal aumento da procura por parte de países em forte crescimento e o mercado dos produtos refinados dominado pelas grandes companhias refinadoras/distribuidoras.
Neste último caso são as cotações do índice Platts para
a gasolina e o gasóleo quem comanda os preços no
consumidor final.
Mas existe um outro grupo de interesses no meio deste
negócio.
É o dos especuladores que jogam com as incertezas na
produção de crude (Iraque, Irão, Nigéria,Golfo do México) para aumentarem os seus lucros. O chamado
mercado de futuros é um exemplo.
Mas há para mim questões que precisam de ser esclarecidas.
Analisando a evolução dos preços dos combustíveis no
consumidor verifica-se que entre 2000 e 2008 o preço do gasóleo em Portugal subiu 100% contra 52% no conjunto dos 15 da UE. Como se explica?
Por outro lado como entender o facto do aumento do preço do barril de crude se repercutir de imediato no preço final do retalhista quando o combustível que está
a ser vendido nos postos foi comprado pelo refinador uns meses atrás a preços inferiores?
Quanto à campanha de boicote à GALP é simplesmente
ridícula.
O preço dos refinados à saída da refinaria não diverge
do das outras empresas e não é aí que está a explicação para as diferenças de preço dos combustíveis em Portugal e Espanha.
Em Portugal os combustíveis são mais caros porque a carga fiscal aplicada pelo Estado é superior (quer o ISP
quer o IVA-21%).
É este facto que o governo pretende esconder. E também que é o principal beneficiado com os constantes aumentos dos combustíveis, pois quanto mais eles sobem mais o Estado cobra em ISP e IVA.
E isso dá muito jeito ao equilíbrio do orçamento.
Não passa de uma falácia e de demagogia barata o governo dizer que não altera a fórmula da tributação fiscal sobre os combustíveis porque issso representava um ónus para a maioria dos portugueses
em benefício dos que têm carro.
Até parece que só meia-dúzia de ricos é que utilizam
o automóvel. Havendo perto de 5 milhões de apólices de seguro automóvel !
E se for verdade que as receitas do ISP servem para
pagar as SCUT como levar a sério a teoria do "utilizador - pagador" ?
E o governo esconde também que o preço dos combustíveis se reflete no preço da electricidade, dos transportes públicos, dos transportes rodoviários de
mercadorias e, por arrasto, dos bens alimentares.
E se os armadores pararem a frota e o peixe escassear?
E com o congelamento do preço dos passes sociais o governo vai ter que utilizar o orçamento para compensar as empresas de transportes de Lisboa e Porto.
O boicote aos postos da GALP só virá afectar os pequenos revendedores que em muitos casos serão obrigados a fechar os postos.
A GALP não será afectada pois como refinadora/distribuidora continuará a vender combustível para os postos da BP, REPSOL e outros.
Ou seja, o boicote é ineficaz.
De RV a 26 de Maio de 2008 às 14:42
A sua argumentação está errada em vários aspectos.

1. A Golpe não abastece a maioria dos postos de combustível. Ela controla cerca de 51% do mercado de refinados e 37% da distribuição. Mesmo assim, é o operador com maior força no mercado.

2. Há um actor que aparenta estar esquecido na sua argumentação e que é precisamente o consumidor,. Estamos habituados a ver o consumidor pagar e calar, especialmente quando não há concorrência. Dado o domínio do mercado por parte da Golpe, não temos de facto concorrência. Neste boicote, o consumidor, parte integrante do mercado liberalizado, está a tentar organizar-se para fazer pressão sobre o líder de mercado.

3. A Golpe tem lucros significativos, que não me dizem respeito mas que me levam a concluir que tem muita margem de manobra para baixar os preços. Mas só o fará se a isso for forçada. Não fazendo os concorrentes essa pressão, resta à outra parte do mercado, o consumidor, procurar que isso aconteça.


De João Tunes a 26 de Maio de 2008 às 15:35
Obviamente, não dou troco a quem comete duas cobardices e aqui veio desaguar por engano: faz campanhas de boicote protegido pelo anonimato (assim é fácil ser-se radical), alcunha o nome do alvo a abater para facilitar o tiro (demagogia propagandista fácil). Arrumemos primeiro a casa com uma outra campanha que urge: fim da cobardia na blogosfera. Depois, conversamos.
De RV a 26 de Maio de 2008 às 15:48
Mudaria algo se assinasse pelo nome próprio? Creio que não nos conhecemos... Admito que é deselegante chamar Golpe à empresa mas muda isso a validade (ou invalidade) da argumentação?

Quanto ao que chama de cobardia na blogosfera, está no direito de ver as coisas desse pontos de vista. E o que sugere? Publicar com BI? Creio que este não é o tema do seu texto, pelo que não me alongarei. Mas posso-o fazer noutra ocasião e até com nome próprio.

Lamento que em vez de responder aos argumentos dum cidadão desconhecido - e é este o significado do pseudónimo, tenha optado pelo caminho que escolheu.
De João Tunes a 27 de Maio de 2008 às 12:02
Sejamos claros. Não me incomoda o anonimato quando se trata de debate de ideias ou opiniões (a menos que haja recurso ao insulto, à injúria ou à obscenidade, para com o autor ou terceiros). Mas aqui, não é o caso. Vcs participam numa campanha destinada a denunciar e boicotar uma companhia, partindo do princípio que ela actua no mercado lesando os consumidores. Como não são loucos nem crianças, pretendem obviamente que a companhia-alvo sofra prejuízos nas suas vendas e na sua imagem. E de dimensão suficiente que a leve a inflectir a política de preços que pratica. Para que isso aconteça com uma companhia com a dimensão e poder da Galp, obviamente que acreditam que a vossa acção provocará danos à altura do alvo. Ora a ambição tem de estar à altura do corpo que se oferece para o combate. Assim, a vossa luta em defesa de uma ética de estar no mercado não pode ser feita por guerreiros que nem sequer se identificam, assumindo as responsabilidades dos seus actos valorosos e destemidos (ou contarão que são inimputáveis nas acusações que dirigem e que são de gravidade maior pois não há pior acusação que se possa fazer a uma empresa que atribuir-lhe falta de lisura na intervenção no mercado?). Quanto à alcunha da empresa-alvo, a escolhida é obviamente insultuosa (não, não é falta de elegância, é insulto e ... mau gosto). Só por si, chamar o que vc chama à companhia que escolheu combater, pelo sentido associado à alcunha, é obviamente sentido por esta como uma calúnia e grave. Mais uma razão para não ser admissível que quem usa armamento de combate de calibre tão largo se esconda na trincheira do anonimato. Acresce, finalmente, que admitirá que os milhares de trabalhadores da Galp são, na sua larga maioria, como os restantes em qualquer companhia, gente séria e profissional. E só uma pequena maioria entre eles tem poder de decisão sobre a intervenção da empresa no mercado. Ao enlamear-se o nome da empresa em que trabalham, e esse dano não é totalmente reversível, obviamente que se está a insultar também a idoniedade moral e profissional dos que labutam no negócio do petróleo como poderiam servir noutra ocupação, noutra actividade e noutra empresa. O Luis Novaes Tito, um dos primeiros activistas desta campanha, dá nome seu ao que escreve e ainda não recorreu ao insulto boçal utilizando corruptelas para o seu alvo de boicote. Não concordando com ele neste caso, dialogarei com ele como sempre o fiz e sem beliscar a consideração que por ele mantenho. Quanto a vc, enquanto não demonstrar coragem de responsabilização à altura da causa que abraçou, termino a conversa com este esclarecimento (pedindo desculpa por ser tão longo). Por mim, ponto final.

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