Segunda-feira, 31 de Março de 2008

LIBERDADE HOTELEIRA

 

O que pode haver de tão excepcional nesta notícia num jornal de grande circulação e que mereça sê-lo?

 

"Es cierto, desde la medianoche de hoy se ha aprobado y se pueden hospedar dejando el documento de identificación y el dinero de la habitación”, ha dicho una recepcionista, que ha querido mantener el anonimato

 

Ou seja, o que de especial tem que um qualquer cidadão de um país alugue um quarto num hotel aberto na sua terra, identifique-se, pague o aluguer, recolha as chaves e vá tomar um duche e deitar-se?

 

E, no entanto, esta possibilidade, normal, normalíssima, é apregoada como uma medida de “abertura” de um regime tão igualitário que, carregando 50 anos de socialismo científico e até agora, impedia aos indígenas o acesso a hotéis cujo uso era restrito aos estrangeiros. O que não deixa de ter os seus reversos. É que, daqui para a frente, os turistas que forem veranear até Cuba sujeitam-se a, no pequeno almoço, terem como vizinhos, na mesa ao lado, uma qualquer família cubana a beberem sumo e trincarem torradas. E, provavelmente, as agências de viagem não vão fazer desconto por motivo desta perda de qualidade do serviço hoteleiro.

 

(notícia aqui)

Publicado por João Tunes às 12:26
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2 comentários:
De Al Kantara a 1 de Abril de 2008 às 11:27
Mesmo assim, a recepcionista conservou o anonimato. Não vá dar-se o caso da "abertura" ser reversível...
De João Tunes a 1 de Abril de 2008 às 13:27
O anonimato é outra história que fica para resolução futura no dia de são nunca enquanto a ditadura durar. Electrodomésticos, enxadas, telemóveis, quarto de hotel, ainda vá. Falar, comentar, responder, continua, e continuará, a ser um luxo interdito. Se deixarem os cubanos falarem, sabe-se lá o que resolvem dizerem.

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