Sábado, 29 de Março de 2008

FALA TU QUE DEPOIS FALO EU

 

Numa mesma semana, a que agora finda, o PCP pronunciou-se a várias vozes sobre o Tibete e o Dalai Lama. Na Assembleia da República, Bernardino Soares, líder da bancada parlamentar comunista e membro da Comissão Política do PCP, declarou assim sobre os acontecimentos no Tibete:

 

Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.

 

No “Avante”, Albano Nunes, membro da mesma Comissão Política e acumulando com funções no Secretariado do PCP, escreveu assim sobre o Dalai Lama:

 

Dalai Lama, um dos mais mediatizados e promovidos figurões internacionais que, afivelando o ar evangélico de santo acima de qualquer suspeita, é realmente um instrumento do imperialismo contra a estabilidade e integridade territorial da RPC

 

Tratam-se de dois dirigentes máximos do PCP, não havendo fundamento para se supor que tenhamos a novidade de, na cúpula comunista, ande cada um a disparar para seu lado e por conta própria. Pelo contrário, a casa preza a disciplina monolítica. O que se trata é de “repartição de tarefas” na prática da duplicidade intrínseca à propaganda comunista, desdobrada em vários discursos consoante as audiências. Na Assembleia da República, o chefe dos deputados comunistas usa a linguagem civilizada da elevação democrática e do respeito pelos direitos humanos. Para camaradas, entre camaradas de cartão, sai a tradução brutal da linguagem do combate e de fogo à peça, explorando o fanatismo. Pela prática permanente do embuste viciado no embrulho do que dizem, a esconderem o que pensam e querem, não são, pois, gente de (con)fiar. Para eles, a mentira útil é sempre revolucionária.

Publicado por João Tunes às 18:19
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