Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

MÁ EDUCAÇÃO

 

Confesso que, madrugada dentro, após ver o “Prós e Contras” sobre Educação, senti-me profundamente deprimido.

 

A Educação é um problema nuclear, sempre e em qualquer sociedade. Como é possível que a ministra nos dê o espectáculo pungente de estar na defensiva desesperada e ver a “sociedade civil” que a confronta num estado não menos calamitoso – uma salada podre com aparatchiks sindicais de olhos esbugalhados a transpirarem burocratismo partidário com mais fome de greves e manifestações que de escolas e aulas, radicais folclóricos, palavrosos e que julgam que ofender sem conta nem medida é próprio do revolucionário moderno do tipo “geração rasca”, filósofos com discurso sem destino marcado, professoras laranjas em oportunística boleia comunista, tudo a preocupar seriamente sobre quem anda a ensinar os nossos filhos.

 

Acusa-se a ministra de tratar mal e afrontar os professores. Vejo que não. O que ela fez foi despertar nos professores o pior que eles se lembram de quando eram alunos. E alguns, ou muitos, valha-nos deus, safaram-se bem pelos intervalos do velho ensino a pedir reforma, tão bem que chegaram ao professorado. Não esta reforma, muito menos tão desastrada por mal amanhada, a ser praticada por um geração de antigos alunos irreformáveis. Mas se o bloqueio está à vista, a ministra (e o governo) podem limpar as mãos à parede, atendendo aos resultados: Educação sem reforma, País à beira de perder a educação. Agora, politicamente, só resta a Sócrates recuar. O que é uma questão de tempo, para o recuo ou a queda. Para lhe suceder um governo incorporando algumas daquelas espécies indigentes do "confronto" de ontem?

Publicado por João Tunes às 18:30
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3 comentários:
De Professora a 27 de Fevereiro de 2008 às 08:04
Olá... Sou professora e concordo em parte consigo os professores que foram escolhidos para ir àquele programa não deram grande imagem da classe. Concordo com a análise que faz dos sindicalistas. Os professores querem ser avaliados, mas de forma justa. Eu adoro dar aulas, sou professora há quase vinte anos e nunca vi os professores andarem ocupados com tantas coisas como agora, mas entre essas coisas não se inclui dar aulas: papéis, papéis, reuniões, etc. Pôr os professsores a trabalhar mais não é a mesma coisa que inundá-los de burocracias... Sabe, depois falta tempo para preparar o que realmente interessa e estar com quem realmente importa: os alunos, que nos chegam muitas vezes desprovidos de tudo, e nós somos mãe, assistente social, psicólogo e trazemos roupa dos nossos filhos, e damos banhos nas escolas... E somos um escarratório nacional.
A ministra que coloque técnicos nas escolas, psicólogos, terapeutas da fala, assistentes sociais e que nos deixe fazer o que mais gostamos. E avalie-nos.
De João Tunes a 27 de Fevereiro de 2008 às 14:50
Agradeço o depoimento que sua sinceridade. O formato do programa presta-se mais à bagunça que ao debate. E raramente pessoas com discurso sereno e concreto que por lá apareçam têm artes para se imporem ao formato e tornarem o debate em algo digerível. Ao contrário, os bagunceiros devem adorar aqueles ambientes de claques. Depois, o mais grave, é que o que passa, sobre os temas, para a opinião pública, é exactamente a ideia de bagunçada partilhada pelos que governam e decidem e pelos que discordam com propostas de bom senso para se fazer melhor.
De Isabel Santos a 29 de Fevereiro de 2008 às 00:41
Também vi o programa.
Concordo inteiramente consigo!
Sou professora há 30 anos e não me revejo naquelas pessoas que ali foram mostrar-se e dar tiros nos pés.
Estou preocupada com o desequilíbrio, a falta de sentido para a vida, a falta de respeito e de dignidade que vai despertando e que é de muito mau sinal...
Não é possível apresentar aqueles adultos como modelos de educação e de cidadania a um jovem.
Assim se percebe porque é que os professores não são respeitados. Eles/Elas dão de si aquela terrível imagem pública degradante.
A Ministra não precisa de os denegrir eles dão bem conta do recado.
Os/As que não somos assim, somos muitos, mas não daríamos audiência na TV.

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João Tunes

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